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Fantasmas da Segunda Guerra? “Guetos” ressurgem em meio à crise de refugiados

Famosos durante a Segunda Guerra, os “guetos” – comunidades fechadas em si mesmas, que têm dificuldades de se integrar ao convívio geral – voltaram à pauta na Europa atual.

Isso acontece, em parte, por causa da crise mundial de refugiados que atinge o planeta. Sem saber o que fazer com o enorme fluxo de pessoas que chegam, países como a Dinamarca têm imposto pesadas leis na tentativa de combater esses grupos isolados.

O problema é que essas leis que só se aplicam a determinados grupos.

Num dos piores guetos por lá, o Mjolnerparken, os índices lembram os dos países mais pobres: 43% dos moradores estão desempregados, 82% vêm de países não-ocidentais, 53% têm educação precária e 51% têm baixa renda. Há uma alta concentração de desemprego e violência.

Isso fez com que políticos dinamarqueses elaborassem propostas que, segundo os especialistas, beiram o fascismo.

Pelas propostas, por exemplo, toda criança filha de refugiado deverá ser separada de suas famílias por pelo menos 25 horas semanais para ser apresentada aos “valores dinamarqueses” – o que inclui tradições ocidentais como natal e páscoa. 

Quem tentar burlar, terá os benefícios financeiros suspensos. 

As leis vão atingir principalmente 25 comunidades de maioria islâmica que vivem no país. 

Os políticos têm agido de uma forma que o New York Times classificou como “sinistra”: culpando os guetos pelo aumento de violência e de expansão de drogas pesadas no país, como o crack. 

Algumas das medidas são visivelmente xenofóbicas, como a que pune com o dobro da pena regular todo crime cometido em qualquer uma dessas comunidades. Outra prevê detenção de até quatro anos aos pais que enviarem os filhos para uma estadia mais longa em seus países de origem. Famílias que habitam os guetos também serão vigiadas com mais rigor. 

Há proposta, inclusive, que obriga os pais dos guetos a proibirem que seus filhos saiam de casa depois das 20h. 

“Os políticos dinamarqueses têm os muçulmanos na mira agora. Eles querem que sejamos mais ‘assimilados’ ou que deixemos o país. Realmente não sei quando eles ficarão satisfeitos”, disse uma das moradoras de gueto. 

Com o discurso de que o governo dinamarquês está usando dinheiro público para financiar os refugiados, o partido conservador tem ganhado o apoio da população. Com as eleições gerais previstas para 2019, é provável uma mudança de cenário no país. 

Para os críticos, a criação de leis que se aplicam apenas a uma parte da população, irá justamente criar as sociedades paralelas que eles tentam, hoje, combater. 


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Fonte: NY Times | Imagem: TonyV3112 / Shutterstock.com