A&EXTRAS

Soldado americano morto em batalha no Afeganistão pode ter sido abandonado pelos companheiros

Na última semana, a Casa Branca concedeu ao sargento John Chapman a honraria mais alta dada a um cidadão americano, a Medalha de Honra, por seu valor em combate. 

Chapman morreu em 2002, em uma batalha na guerra do Afeganistão. 

O problema é que essa história está cercada de controvérsias. A principal delas é que Chapman morreu porque foi abandonado pelos seus companheiros de equipe.

Seis meses depois dos atentados de setembro de 2001, em plena guerra contra o terrorismo no Afeganistão, o sargento das Forças Armadas dos Estados Unidos, John Chapman, sucumbiu de forma trágica em meio ao campo de batalha. 

Ele e outros companheiros participavam da primeira fase de uma operação chamada “Anaconda”, cujo objetivo era desmantelar forças do Taleban e da al-Qaeda. 

Haveria confronto direto com o inimigo que, suspeita-se, estava escondido por vilarejos da província de Pakitia. 

Só que os soldados americanos não esperavam uma ofensiva tão estrategicamente bem montada por parte das forças do al-Qaeda e do Taleban. Durante dois dias, armas automáticas e mísseis caíram sobre forças americanas e afegãs. 

Encurralada, uma equipe americana montou uma operação para vistoriar uma montanha próxima, alta o bastante para dar uma visão ampla de todo o vale onde a batalha acontecia. 

Ao chegar nas proximidades da montanha, a equipe que estava no helicóptero foi surpreendida com um ataque do chão. Danificado, o aparelho tentou manobrar mas acabou caindo nas encostas nevadas ao norte da montanha. 

Pouco depois, Chapman e outros companheiros montaram uma operação especial para resgatar possíveis sobreviventes do acidente. Mas ao chegarem próximo ao local da queda, foram cercados por forças inimigas. Houve resistência. Chapman acabou atingido e caiu de costas na neve. Ele ainda estava vivo, e com o laser da sua arma tentou sinalizar aos amigos que precisava de resgate.

Mas os outros não perceberam os sinais. Numa manobra, alguns membros da operação conseguiram escapar da emboscada afegã. Eles desceram pela encosta da montanha, debaixo de uma chuva de tiros, e conseguiram se esconder num abrigo entre as pedras. Eles entraram em contato com o centro de comando e conseguiram ser resgatados seis horas depois.

A desastrosa operação que deixou oito mortos lançou desconfiança entre as Forças Armadas dos EUA. O capitão Britt Slabinski, hoje com 48 anos e aposentado da Marinha desde 2014, foi acusado de não ter ido ao resgate de Chapman. Ele admitiu, em 2016, que por ter sido ferido na operação e pela violência do embate, pode ter cometido um erro.

Assim como Chapman, Slabinski também foi condecorado com a mais alta honraria do país – o que despertou ferozes críticas entre membros das Forças Armadas dos EUA.

Filmagens feitas por drones mostram que Chapman lutou contra a al-Qaeda por quase uma hora depois que seus companheiros bateram em retirada. O vídeo mostra um homem lutando contra dois guerrilheiros, matando um deles com um rifle e entrando em combate direto com o outro. Ele sucumbiu na tentativa de se proteger dos reforços afegãos que chegavam na sequência.

Na cerimônia de premiação, Trump ressaltou a coragem de Chapman, mas omitiu qualquer falha na operação.


Eles ficarão dois meses dentro de uma cadeia nos EUA, como prisioneiros disfarçados. 60 DIAS INFILTRADOS NA PRISÃO -Super estreia nesta sexta, 20h


Fonte: Newsweek | Imagem: US Air Force