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Burocracia impede que NY resolva um dos casos de assassinato mais misteriosos de sua história

Na manhã de 25 de março de 1980, uma mulher encontrou, ao passar pelo gramado da casa vizinha, o corpo severamente violentado de uma jovem. 

A polícia mais tarde identificou a vítima: tratava-se de Eve Wilkowitz, de apenas 20 anos. 

Ela havia pego um trem noturno de Manhattan, em Nova York, onde trabalhava, para Long Island, onde vivia. 

Eve atuava como secretária em uma editora. 

Em algum ponto de sua jornada de volta para casa, ela foi sequestrada, amarrada, estuprada, estrangulada, e, depois, seu corpo foi abandonado no gramado. 

Irene Wilkowitz lembra perfeitamente do momento em que um policial veio avisar seus pais do assassinato. 

A família desabou, conta ela. Por anos eles esperaram que o assassino fosse encontrado, o que nunca aconteceu. 

Ao longo de quase 40 anos, o caso foi encerrado e reaberto várias vezes, conforme novas tecnologias forenses surgiam no mercado. 

A polícia tem amostras de esperma colhidas junto ao corpo da vítima – ou seja, possui uma sequência perfeita de DNA – mas nunca conseguiu chegar a um suspeito. 

Por anos, o caso foi trabalhado à exaustão. Centenas de pessoas foram ouvidas pela polícia, incluindo ex-namorados de Eve, e outro tanto teve seu DNA testado. Nada batia. 

Irene, hoje com 57 anos, conta que nunca superou a morte da irmã e que trabalha para que o caso seja resolvido. 

Ela quer que a amostra de DNA seja submetida a um processo de altíssima tecnologia chamado “genealogia genética”, que cruza banco de dados em busca de parentes dos criminosos e constrói uma teia de suspeitos com base em inteligência artificial, o que eventualmente acaba chegando ao próprio assassino. 

Essa é a mesma tecnologia que ajudou a resolver o misterioso caso de “Maria Ninguém”, que há 40 anos quebrava a cabeça da polícia americana - e, por acaso, aconteceu na mesma época do crime de Eve Wilkowitz. 

O problema é que as leis de Nova York não permitem o uso desse tipo de tecnologia.

O argumento é que as empresas que fazem esse tipo de análise utilizam banco de dados de empresas que fazem teste de DNA via internet, muito populares nos EUA. 

Há receio de que a informação genética disponível nesses bancos de dados seja utilizada de forma mal intencionada. 

Em Nova York,  até agora, nenhum laboratório obteve permissão para trabalhar com genealogia genética.  

Kevin Beyrer, o investigador que cuida do caso Wilkowitz, conta que se sente frustrado com tanta burocracia. “A tecnologia está aí, outros estados já usam com sucesso. Esse caso está muito próximo de ser resolvido”. 

Irene espera conseguir autorização do estado para avançar com a investigação. “Me deu uma esperança, depois de todos esses anos. Sinto que estamos perto de fazer uma grande descoberta”. 

E completa: 

“Na verdade, essa investigação não é por mim ou por Eve. Eu cresci sem minha irmã, e a resolução do crime não irá trazê-la de volta. Mas é preciso trabalhar para que outras pessoas possam se beneficiar desse sistema. É por isso que não posso me acomodar”. 


Fonte: NBC News | Imagens: Kayana Szymczak / NBC News