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Poeta explorador que desapareceu no deserto é, até hoje, um dos casos mais enigmáticos dos EUA

O jovem poeta e artista Everett Ruess tinha apenas 16 anos quando começou a explorar, sozinho, alguns dos lugares mais isolados dos Estados Unidos. 

Nessa época, ele começou a viajar de cavalo ou jumento por lugares como Arizona, Novo México e Colorado, cruzando desertos e florestas. 

Aos 20, Ruess vivia sob forte influência das ideias de Henry David Thoreau, escritor que, cansado da vida em sociedade, resolveu viver recluso na floresta e, nesse período, produziu um dos seus livros mais icônicos, “Walden ou a vida nos bosques”, em 1854.

Em 1934, Ruess resolveu que queria explorar o inóspito deserto de Utah. Pegou dois burros carregados de mantimentos e se enfiou pela paisagem árida. 

A partir desse dia ele nunca mais foi visto. Quando as buscas foram acionadas, tudo que a equipe de investigadores encontrou foi um pequeno curral perto de onde ele estava acampado, um dos burros próximo ao Rio Escalante e uma inscrição onde se lia NEMO 1934.

A busca se estendeu por um ano e foi encerrada em 1935. Suspeitou-se que Ruess havia caído em um desfiladeiro, foi tomado por uma enxurrada ou assassinado: por pastores de ovelhas ou por indígenas interessados em seus burros.

O caso foi arquivado pela polícia mas nunca deixou de atiçar a imaginação de curiosos. 

Até que em 2009 uma descoberta trouxe a história de Ruess de volta à vida, 75 anos depois de seu desaparecimento. 

Uma ossada foi encontrada próxima à cidade de Bluff, no Utah. O material coletado foi levado à análise e, a priori, o formato dos dentes e das ossadas batia com a descrição física de Ruess. 

Uma comparação de DNA dos restos mortais com dados coletados das sobrinhas de Ruess confirmou o que se esperava: a ossada pertencia, de fato, ao poeta. 

A descoberta foi bastante celebrada pela mídia, inclusive por grandes canais científicos, como a National Geographic. 

Mas nem todo mundo comprou a história. O arqueólogo Kevin Jones comparou a arcada com os registros da década de 1930 e descobriu que os formatos não batiam com o de Ruess. 

Isso provocou uma nova análise, que foi realizada por um outro laboratório. Ficou provado que o DNA da ossada não batia com o dos familiares de Ruess. Tratava-se, na verdade, dos restos mortais de um índio Navajo que habitava a região. 

O problema estava no método de análise. A que identificou a ossada como sendo de Ruess foi feita utilizando um sistema tradicional, enquanto a que desmentiu foi feita segundo trâmites forenses – mais apropriado para a ocasião.  

Foi um tremendo balde de água fria num mistério que já durava mais de 75 anos. 

O desparecimento de Ruess, portanto, segue como um dos maiores mistérios da história forense dos EUA.