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Policial tem sonho perturbador com jovem assassinada e caso de 1974 é reaberto

Em 1974, uma jovem foi encontrada morta e estrangulada no Queens, em Nova York. 

O caso nunca foi resolvido, apesar de a polícia ter insistido na busca de provas por anos a fio. 

Naturalmente, acabou arquivado e esquecido por décadas.

Até que uma noite, a policial  Joanne Jaffe teve um sonho estranho. Nele, viu uma jovem assassinada clamando por ajuda. 

“O chamado vinha da cova”, explica. 


JOANNE JAFFE - Slaven Vlasic/Getty


Um detalhe do sonho era especialmente grotesco: a jovem tinha uma escova de cabelos enfiada na vagina. 

Perturbada com o sonho, Jaffe começou a questionar as pessoas mais próximas para saber se elas lembravam de algum assassinato envolvendo um estrupro e uma escova de cabelo. 

A policial acionou vários contatos, e ninguém lembrava do acontecido. Em dado momento, achou que estivesse apenas tendo um devaneio. 

Mas a memória do sonho persistia e Jaffe não desistiu.

Até que recebeu uma mensagem de uma amiga: um juiz aposentado, hoje com 80 anos, lembrava vagamente do caso. 

“Não, não foi apenas um sonho. E é improvável que houvesse mais de um caso envolvendo uma escova de cabelo”, disse a amiga. 

Com a ajuda do juiz, Jaffe conseguiu reaver a identidade da vítima: Leslie Zaret, de apenas 17 anos. 

Ela foi encontrada morta no pátio de uma escola no verão de 1974, com uma escova na vagina – o mesmo pátio onde Jaffe brincou ao longo de muitos dias em sua infância. 

Com ajuda de amigos policiais, ela conseguiu localizar arquivos e evidências do caso, incluindo a escova de cabelo.

Junto com o detetive Mark Valencia, Jaffe conseguiu reconstruir os últimos momentos de vida de Leslie. 

Na noite do assassinato, 16 de agosto de 1974, Leslie estava com a sua melhor amiga, Laura Gold. Por volta das 23h30, ela resolveu voltar andando para casa, distante cerca de 26 quadras da residência da amiga.  

No meio do caminho, havia um trecho escuro, que margeava um cemitério e uma série de viadutos. 

Leslie nunca chegou em casa. Seus pais notificaram o desaparecimento à polícia por volta das cinco da manhã do dia seguinte. Três horas mais tarde, o corpo foi encontrado no bairro vizinho.

A jovem estava de bruços completamente nua. Havia marcas de estrangulamento em seu pescoço e uma escova em sua vagina. Suas roupas e sapatos estavam estranhamente organizadas, dobradas e alinhadas, ao lado do corpo. 

Não havia testemunhas e não foram coletadas amostras de DNA – que, na época, não era uma prática comum.

No entanto, a polícia tinha alguns suspeitos em mente – entre eles um homem de 21 anos que havia pago fiança após ser acusado de agressão sexual duas semanas antes.  

Mas não foram encontradas provas suficientes para levar o processo adiante.

Eis que, décadas mais tarde, Valencia foi atrás da mulher que denunciou o homem por agressão sexual e descobriu um detalhe revelador!

Ela contou que, em 1974, conheceu o homem em uma boate em Nova York. Eles saíram juntos do clube, no carro do suspeito. 

No caminho, ele desviou a rota para um lugar ermo, deu um soco na mulher e tentou estuprá-la. Sem conseguir sustentar a ereção, virou a mulher de costas e inseriu um pente no ânus da vítima.  

Esse ato fez com que ele recuperasse a ereção e estuprasse a moça. 

Ela, por um milagre, conseguiu dar um golpe no estuprador com o joelho e fugiu. No exame de delito, envergonhada, omitiu a parte do pente. 

Leslie, por ser menor e mais frágil – ela tinha apenas 1,50 de altura - não teve a mesma “sorte”.  

Intrigado com a coincidência, Valencia correu atrás de novos depoimentos – incluindo várias ex-namoradas do suspeito. Todas reportaram um homem violento e com hábitos estranhos. 

Mesmo assim, não havia provas suficientes para incriminar o suspeito – até que resolveram fazer uma abordagem direta. 

Certo dia, Valencia e um companheiro de trabalho abordaram o suspeito na rua e o conduziram até a delegacia mais próxima. 

A ideia era coletar, sem que ele imaginasse, material para uma prova de DNA, o que aconteceu por meio de um copo com água. 

A polícia tinha evidências de DNA do suspeito, mas não da vítima. 

A esperança agora estava nos restos mortais de Leslie, quem sabe algum vestígio de pele do assassino sob as unhas. 

A exumação aconteceu pouco depois, com autorização da família. Os cientistas forenses recolheram restos sob as unhas de Leslie, mas, infelizmente, não havia material genético o suficiente para identificar uma cadeia de DNA.

O caso não foi resolvido até hoje, e segue como sendo um dos mais emblemáticos da polícia nova-iorquina: há indícios, mas não são suficientes para incriminar. 

Jaffe e Valencia acreditam que estão diante do verdadeiro assassino de Leslie, mas nada podem fazer. “Estamos desapontados, mas seguimos determinados a resolver o caso”, conta a policial.

Enquanto isso, o suspeito (cujo nome não foi divulgado), casou, teve filhos e se divorciou. 


Fonte: The Daily Beast